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Você já deve ter ouvido alguém dizer que “menos é mais”, frase esta atribuída a Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969). E como a frase tornou-se amplamente utilizada, há fortes indícios de que faz sentido e há razões por trás disso.

Trazendo isso para o âmbito da gestão empresarial, certamente a ideia do menos é mais é aplicada a diversos assuntos e processos. Mas neste artigo, vamos abordar os indicadores de desempenho, ou, em ingles, performance indicators.

Para validar a adoção dos indicadores na gestão empresarial, podemos citar legados como “Se você não pode medir, não pode gerenciar”, de Peter Ferdinand Drucker (19092005), considerado o pai da administração moderna, e “Aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar”, de William Thomson (18241907).

Pois bem, como hoje, mais do que nunca, é importante o gestor conhecer os números e saber o que está acontecendo no seu departamento, sua empresa ou seu grupo empresarial, é inevitável acompanhar os indicadores que vão sinalizar onde as coisas estão indo bem e onde é requerida uma intervenção (ação corretiva). É para isso que eles existem.

O primeiro passo, naturalmente, é definir esses indicadores. Pode ser por meio de um rápido brainstorming, como também de um estudo aprofundado com o apoio de consultoria externa. E é comum que do estudo acaba resultando o levantamento de um conjunto grande de métricas e indicadores. Talvez 30, talvez 50 … E aí, são todos aproveitáveis ? Dá pra colocar em prática ?

A resposta pode até ser “sim” e não vamos duvidar disso. Mas dificilmente dê pra colocar em prática todos logo de imediato, porque:
a) a empresa não dispõe de sistema de informação preparado para alimentar os dados necessários de forma automatizada,
b) não há mão-de-obra disponível para fazer a compilação e apuração manual de todos os dados necessários,e, ainda,
c) os próprios gestores não estão preparados e em condições de fazer bom uso de muitos indicadores na sua gestão.

Isto, porém, não significa que o estudo deve ser abandonado ou que os indicadores não possam ser adotados. Sugere, sim, uma abordagem gradativa. É importante começar, priorizando o início pelos indicadores mais impactantes, os KPIs (Key Performance Indicators). Pareto possivelmente diria que 20% dos indicadores vão resultar em 80% das ações …

Para reforçar essa recomendação, podemos ainda traçar um paralelo com o famoso cockpit, termo comumente usado como sinônimo de dashboard ou painel de indicadores. No nosso caso, seria o conjunto de gráficos representando KPIs. Cockpit, no entanto, foi herdado da aviação, onde o piloto tem à sua frente um painel com inúmeros indicadores que lhe proporcionam informações sobre o avião e permitem manter o controle da aeronave. Nas versões mais recentes, das aeronaves mais modernas, há muita informação. Mas para chegar lá, a tecnologia foi evoluindo gradativamente por mais de uma centena de anos. E o piloto precisa investir muito tempo para dominar todo esse conjunto de indicadores do painel. E aí podemos estabelecer o paralelo com a situação dos indicadores nas empresas e capacidade de absorção por parte dos gestores:

a) sempre foi assim ? Os aviões sempre tiveram esse painel complexo ? Claro que não. Os primeiros aviões voaram com bem menos “reloginhos” no painel, se comparado ao que tem nos aviões da atualidade. Mesmo assim, também voavam. E conseguiam voar porque dispunham dos indicadores essenciais (os mais impactantes);
b) um leigo ou mesmo um piloto iniciante, consegue entender e ter o controle sobre um complexo cockpit de avião moderno ? Certamente não. Precisa de tempo e preparo para se sentir à vontade e em condições de dominar tudo aquilo. E com a maioria dos gestores, salvo tenham vindo preparados de outras experiências, não é muito diferente. O processo para um gestor não familiarizado com a gestão por indicadores passar a entender e usar todos os indicadores disponíveis, também leva o seu tempo.

Lembre disso, então, quando envolvido em um processo de implantação do uso de métricas e indicadores de gestão, com ou sem software de BI (Business Intelligence): o início com menos, de forma simplificada, tende a maximizar o resultado e proporcionar os benefícios em prazos abreviados.

Leonardo R. Max Matt – CEO da BXBsoft  Abr-2018