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Ouvi, durante o WCIT/2016 – World Congress of Information Technology, em sua 20a. edição, Brasília, a palestra do Dr. Soumitra Dutta, reitor da escola de pós-graduação Samuel Curtis Johnson na universidade de Cornell, EUA. Dr. Dutta nos apresentou dados oriundos de 15 anos de pesquisa, com resultado coletados em 140 países. Como um dos editores do Global Information Technology Report 2016, conclui que apenas 7 nações ganham destaque no que se refere ao NRI – Network Readiness Index, proposto como medida do grau que um economia pode valer-se da tecnologia da informação para gerar prosperidade. A análise abrange diferentes dimensões, como prontidão (infraestrutura, custo competitivo e competências), usuários e impacto.
Os dados agrupados, mostrados durante a conferência pelo Dr. Dutta, mostram claramente 3 grupos distintos:
1- Singapura, Finlândia, Suécia, Noruega, Estados Unidos, Holanda e Suíça, que destacam-se à frente dos demais,
2- Um grupo reduzido de países, incluindo a europa ocidental, se mantém logo abaixo,
3- Todos os demais países pesquisados ocupam a faixa inferior do gráfico, obviamente mais afastados dos demais.

Veja a íntegra do relatório aqui

A análise nos leva concluir que não basta um país ostentar um grande número de usuários com telefones celulares para que possa se posicionar com um bom NRI. Dr. Dutta nos deixa com 3 mensagens:
1- A realidade da transformação digital veio para ficar.
2- Há uma grande lacuna entre países líderes e os demais.
3- Esta divisão está aumentando.

Para o Brasil, ele sugere as seguintes medidas:
1- Estabelecer uma visão a nível governamental, como uma política de estado,
2- Investir na mudança percepção – “Branding” que está associada ao Brasil no plano internacional.

Ele também ressalta que as universidades e a capacitação são fundamentais para a transformação. Cita o CEO de GE, Jeff Immelt:

If you are joining the company in your 20s, unlike when I joined, you’re going to learn to code. It doesn’t matter whether you are in sales, finance or operations. You may not end up being a programmer, but you will know how to code.

Se você ingressa na empresa (GE) na faixa dos seus 20 anos, ao contrário de quando eu entrei, você vai aprender a codificar. Não importa se você está em vendas, finanças ou operações. Você pode não acabar por ser um programador, mas você vai saber como codificar.

Como resumo de sua fala, entendo que o Dr. Dutta adverte que os negócios estão no centro da questão da transformação digital. Singapura, por exemplo, tem como estratégia principal a facilitação do ambiente de negócios.
Creio que, no Brasil, já reunimos alguns dos elementos para seguir as recomendações do Dr. Dutta. Possuímos uma estrutura para a Rede APL que incentiva a participação de Empresários, Universidades e Governo. Sebrae, CIN, Assespro, Softex e outros, vem buscando capacitar agentes de várias esferas da sociedade para que se tornem mais competentes. Com a continuidade do esforço, podemos tornar os esforços mais efetivos. É verdade que nos falta uma política mais consistente para o estímulo da atração de negócios, tanto no plano nacional quanto internacional. Cabe-nos agora, como nação, examinar esses desafios, com cautela, como evidenciam os dados, e lançarmo-nos na construção dos esforços faltantes.

Mauricio Fernandes de Castro

Sócio-fundador da i-Serv Consultoria Empresarial Ltda.